Janeiro, primeiro mês do ano....
Ah, como recordo o nosso futebol de domingos á tarde e estádios cheios.
Que doce lembrança do cheiro a "corato" e pinhão torrado e dos velhos transitores com a doce "canção" dos golos acontecendo no São Luis, no velho Vidal Pinheiro e tantos outros feudos da memória colectiva "futebolesa".

Ninguém me tira da ideia que eramos tão mais felizes então, do que agora com o futebol "indústria" matando as paixões neste país de brandos costumes e maneirismos singulares.
Havia nesse tempo um ritual de ir ao futebol. Com cachecóis de lã acrilica estampados e "almofadinhas prá bola" que sempre ajudavam a disfarçar a dormência traseira dos privilegiados que elegiam as bancadas em deterimento dos peões. A lei do mais barato que se impunha para que todos tivessem acesso democrático ao "chuto na bola" nativo e eramos felizes vendo esse futebol com "falta dos últimos trinta metros", em vez do actual futebol com "falta de 105 metros". Talvez então com a falta das transmissões do estrangeiro, na plácida ignorância, achassemos que tinhamos um bom futebol e as melhores equipas da velha Europa.
A verdade é que esse futebol galvanizava e mobilizava as massas, com os nosso jogadores de lenda.

No nosso feudo eramos tão mais felizes e tão mais inocentes.
E tinhamos jornais que, com tamanhos gigantes, condensavam o universo desportivo em tiradas que três vezes por semana nos ensinavam mais que os actuais painéis reservados aos doutores "futeboleiros", que até nos jornais não reservados ao tema "futebol", hoje imperam nos comentários e análises e escalpelizações sobre o fraco jogo que as equipas pátrias desenvolvem nos relvados das modernas estruturas que são os estádios- alguns (tantos!!!) "elefantes brancos"- sobejantes do maior evento até hoje organizado neste "cantinho á beira-mar plantado".
Hoje a crónica é de um tempo de lembrança onde o futebol era um tempo de alegria vibrante e não uma passarela de marasmo envergonhado á semelhança da fenomenologia da existência lusitana. Porque somos cada dia mais pobres e envergonhados e o nosso futebol é espelho fiel desta tristeza, á espera que um qualquer D. Sebastião nos venha salvar do fatalismo "em uma triste e leda madrugada".
Tempo de reflexão...in memoriam por um tempo de felicidade e inocência...



A Bancada Sul oferece um bilhete para o jogo de amanhã.
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Bancada Sul
Saudações leoninas,
Bancada Sul.
Já ví um Farense-Sporting nesse estádio. Foi no jogo de apresentação do farense. Bons tempos!
ResponderEliminarSaudações Leoninas!